Angioedema hereditário

Informações gerais

Sinônimos: AEH, Edema de Quincke

Prevalência: 1/50.000

Hereditariedade: Autossômica dominante

CID-10: D84.1

CID-11: 4A00.14

Principais especialidades: Imunologia, genética médica

Definição

O angioedema hereditário é uma condição rara caracterizada por episódios recorrentes de inchaço que podem afetar diferentes partes do corpo, como mãos, pés, face, trato gastrointestinal e vias aéreas superiores, entre outras. Em alguns casos, esses episódios podem ser desfigurantes, dolorosos, incapacitantes e representar risco à vida.

Sua causa é genética e pode ser transmitida de pais para filhos no padrão autossômico dominante. É importante destacar que não se trata de uma reação alérgica. Enquanto as alergias são mediadas por uma substância chamada histamina, a doença é mediada por bradicinina.

O angioedema hereditário pode se manifestar em pessoas de qualquer sexo, idade ou origem. Embora os primeiros sintomas sejam mais comuns na infância, ele também pode surgir na adolescência ou na vida adulta.

Sinais e sintomas

O angioedema hereditário se manifesta por episódios recorrentes de inchaço, que geralmente duram alguns dias e desaparecem sem deixar sequelas. Esses episódios podem ocorrer de forma espontânea ou ser desencadeados por fatores como uso de medicamentos (contraceptivos contendo estrogênio e inibidores da ECA), traumas físicos, cirurgias, procedimentos odontológicos, estresse, ansiedade, alterações hormonais, infecções ou processos inflamatórios.

Crises subcutâneas

Quando atingem a pele, são comuns inchaços em braços, pernas, mãos, pés, dedos, face, pálpebras, lábios, pescoço, tórax e genitais, podendo causar dor, sensação de calor local, formigamento e limitação dos movimentos.

Crises abdominais

Nas crises abdominais, o inchaço das alças intestinais pode provocar dor intensa, náuseas, vômitos e diarreia.

Crises em vias aéreas

O acometimento das vias aéreas, como língua, garganta e laringe, pode causar falta de ar, rouquidão, tosse e dificuldade para engolir, sendo uma situação potencialmente grave e considerada uma emergência médica.

Diagnóstico

O diagnóstico do angioedema hereditário é baseado na história clínica e familiar, associado a exames laboratoriais, como a dosagem do C1-INH (quantitativa e funcional) e dos componentes do sistema complemento, como C4 e C1q.

A doença pode ser classificada em três tipos principais:

  • AEH Tipo 1 – Deficiência quantitativa de C1-INH;
  • AEH Tipo 2 – Deficiência funcional de C1-INH;
  • AEH Tipo 3 – C1-INH normal,  sendo o exame genético importante para confirmação.

A presença de coceira (urticária), melhora com anti-histamínicos ou corticoides e resolução dos episódios em menos de 24 horas tornam o diagnóstico de angioedema hereditário menos provável.

Exames adicionais podem ser solicitados para descartar outras condições que apresentam sinais e sintomas semelhantes.

Tratamento

Até o momento, não existe cura para o angioedema hereditário. O tratamento tem como objetivo prevenir as crises e controlar os episódios quando eles ocorrem.

O tratamento preventivo pode incluir o uso contínuo de medicamentos, como andrógenos atenuados, concentrados de C1-INH, anticorpos monoclonais ou inibidores da calicreína, com o objetivo de reduzir a frequência e a intensidade das crises.

Durante as crises agudas, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, especialmente nos casos de acometimento das vias aéreas, que podem evoluir para obstrução e risco à vida. Entre as opções estão os concentrados de C1-INH e os inibidores da bradicinina. Em situações específicas, quando essas medicações não estão disponíveis, pode ser utilizado plasma fresco congelado.

O angioedema hereditário não é uma condição alérgica. Enquanto as alergias são mediadas por uma substância chamada histamina, a doença é mediada por bradicinina e, por isso, não responde a anti-histamínicos ou corticoides. O diagnóstico correto é importante para evitar tratamentos inadequados e possíveis complicações.

Não inicie, altere ou abandone seu tratamento sem orientação médica.

Última revisão: Março/2026